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    Home»Negócios»Nordeste é a região em que arroz e feijão mais pesaram no bolso do consumidor durante a pandemia
    Negócios

    Nordeste é a região em que arroz e feijão mais pesaram no bolso do consumidor durante a pandemia

    By Arcenildo Martins23 de junho de 2020Updated:23 de junho de 2020Nenhum comentário6 Mins Read
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    Levantamento da InfoPrice mostra variação de preços dos principais produtos da cesta básica, por região

    Paulo Garcia, CEO da InfoPrice/Divulgação

    O arroz e o feijão, base da alimentação nacional, registraram alta variação de preços neste período de pandemia, pesando no bolso do brasileiro. Mas, foram os nordestinos quem mais sentiram esse peso no orçamento no final do mês. Aqui, a variação no preço do arroz avançou 7,04%, perdendo apenas para a região Sul, que anotou alta de 8,52%.

    Para o feijão, a volatilidade observada é ainda mais acentuada. O valor do grão saltou 18,61% no Sudeste, com variação similar no Nordeste (18,42%). Sul e Centro-Oeste também anotaram avanço, de 9,90% e 8,90%, respectivamente.

    A região Norte foi a única a apresentar alteração negativa para os itens, com recuo de 3,07% no arroz, e de 11,79%, para o feijão.

    O Nordeste é ainda a única localidade em que se observa alta no preço dos produtos enlatados: 1,69%. Sul (-1,12%), Sudeste (-2,05%), Centro-Oeste (-3,29%) e Norte (-6,24%) indicam retração nos valores desta categoria.

    Os dados fazem parte do levantamento realizado pela InfoPrice, empresa de tecnologia e inteligência de negócios focada em pricing do varejo físico, que levou em consideração o comportamento dos preços no período de 10 de fevereiro a 04 de maio.

    “Nosso objetivo era entender o quanto a pandemia estaria ou não impactando os preços dos principais produtos da cesta básica da população. A Organização Mundial da Saúde (OMS) decretou pandemia do novo coronavírus em 11 de março, mas um pouco antes disso, tivemos o Carnaval – cujas festividades ocorreram de 21 a 25 de fevereiro. Tendo estas datas no radar, expandimos a data de pesquisa para um período ligeiramente anterior, e começamos a análise dos dados a partir do décimo dia do segundo mês do ano, para garantir que não haveria interferência de altas sazonais motivadas pela celebração. Com esta delimitação, a avaliação sobre a interferência da pandemia nestes preços é mais assertiva”, explica Rodrigo Diana, cientista de dados da InfoPrice.

    Arroz, feijão, leite, massas, enlatados e carnes bovinas, bases do consumo doméstico das famílias, foram os itens que tiveram seus preços analisados pela InfoPrice. Produtos de limpeza e álcool gel, pelo aumento da procura justamente por conta da recomendação de maior asseio das pessoas para evitar a contaminação da Covid-19, também foram objetos deste levantamento, uma vez que o avanço da demanda costuma interferir no valor dos produtos.

    Contraponto

    Se para os nordestinos o arroz e o feijão pesou no bolso de seus consumidores, a região, todavia, anotou a menor oscilação no preço do leite: 2,31%. No Sul, esse avançou chegou a 15,50%. “Nossa ferramenta apenas analisa o comportamento de preços, entender os motivos das altas requer um estudo mais aprofundado de cada categoria. Entretanto, nosso relacionamento com os clientes é muito próximo, e nessa troca de informações é possível identificar alguns fatores que influenciam nestas oscilações. No Sul, por exemplo, sabemos que houve uma pressão por parte dos produtores para elevar o valor do leite. Há, inclusive, diversos relatos de varejistas indicando em suas gôndolas que o preço havia subido porque os produtores tinham elevado muito o valor do produto”, explica Paulo Garcia, CEO da InfoPrice.

    De acordo com dados divulgados pelo Conseleite (associação civil que reúne representantes de produtores rurais de leite do Estado e de indústrias de laticínios que processam a matéria-prima no Paraná), no final de abril, a recomposição de preço na entressafra era um movimento esperado em função da queda na lactação e do impacto da seca em mais de 300 municípios gaúchos, mas também reflete o aquecimento do consumo nos primeiros dez dias do mês devido à formação de estoques pelas famílias no início da pandemia.

    Em queda

    A carne bovina foi o único produto que apresentou recuo em todas as praças pesquisadas. O Sul registrou contração de 10,66%. O Nordeste anotou -3,03%, melhor resultado que Centro-Oeste (-2,66%) e Sudeste (-1,95%), por exemplos.

    Outros produtos

    As massas apresentaram oscilações diferentes em cada praça pesquisada: no Sudeste (0,10%) e no Nordeste (3,31%) registraram alta; enquanto no Norte (-1,62%), no Sul (-2,35%) e no Centro-Oeste (-4,50%), as variações foram negativas.

    Os produtos de limpeza também pesaram no bolso do consumidor no período. Norte (4,24%) e Nordeste (4,15%) ocupam a liderança no avanço dos preços. Na sequência aparecem Sul (1,98%), Sudeste (1,88%) e Centro-Oeste (1,47%).

    Vilão dos preços no início da pandemia, o preço do álcool gel recuou bastante depois do pico inicial da demanda que fez o produto faltar em muitas prateleiras. O Sul é a localidade com maior retração: -25,09%. O Nordeste anotou -10,12% de oscilação no produto. “Este movimento também é decorrente de medidas adotadas por diversos governos, que implementaram políticas de isenção ou redução de impostos do produto para facilitar o acesso da população”, comenta Garcia.

    Acompanhamento

    Diana esclarece ainda que os resultados obtidos são decorrentes de ponderações de medianas nas oscilações dos produtos. “Nós não pegamos, simplesmente, o valor do produto em 10 de fevereiro, comparamos com o preço deste em 04 de maio, e tiramos a média. Não! Nós analisamos a variação dos preços, produto a produto em cada ponto de venda que pesquisamos, o que permite ter a certeza sobre o seu aumento ou diminuição naquela localidade. A partir desses resultados, fizemos o agrupamento por categoria e também por região, de onde vêm os resultados médios apresentados para cada macrorregião do País. Isso nos permite ter uma abordagem muito mais assertiva e que reflete melhor a variação dos preços no varejo”. A pesquisa comparou a variação dos preços em 469 lojas físicas e 171.2 18 datapoints, que são um conjunto de informações que vão desde o nome do produto, seu preço, a loja em que ele se encontra, se ele está em promoção ou não, entre outras informações relevantes para precificação, sendo esse conjunto individual para cada produto único em cada loja. Do Nordeste, 72 lojas e 26.138 datapoints compõem esse total.

    Para auxiliar a população e lojistas neste momento, a InfoPrice está disponibilizando em seu site, gratuitamente, a pesquisa “Impacto da Covid-19nos preços do varejo brasileiro”. No documento é possível acompanhar a variação de 50 produtos, semana a semana, em 292 cidades brasileiras. Ainda é possível fazer a consulta por marcas.

    Sobre a InfoPrice: A empresa foi criada para transformar o segmento de consumo por meio de tecnologia, uma vez que informações de qualidade melhora todo a cadeia de valor do varejo, pois reflete em preços mais justos e acessíveis para os consumidores e melhores negociações entre indústria e varejo. A expertise da Infoprice é em pesquisa e inteligência de preços. Seu objetivo é ajudar os varejistas na jornada de pricing, etapa a etapa, com transformação digital. Todos os dados coletados no varejo passam por algoritmos de inteligência artificial e tecnologias de Big Data, para extrair informações e aumentar a precisão das análises realizadas. Para saber mais acesse: https://www.infoprice.co/

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