Categoria cobra urgência na imunização e alerta para possível paralisação
Encarregados de atividade definida como essencial durante a pandemia, os portuários já fazem parte da lista de grupos considerados prioritários pelo Ministério da Saúde na vacinação contra a doença. No entanto, como ocupam a penúltima posição na lista, à frente apenas dos trabalhadores da indústria, até o momento os portuários ainda não foram convocados para a vacinação.
Presidente da Federação Nacional dos Estivadores (FNE), José Adilson Pereira cobrou urgência na vacinação dos portuários e não descartou a paralisação de portos brasileiros por conta do número de trabalhadores contaminados pelo novo coronavírus.
“Nós somos porta de entrada. É por nós que passam todas as mercadorias do País. Temos contato com tripulações, com pessoas que vêm de outros países”, observou. “Se param os portos, o Brasil vai à bancarrota.”
Plano de vacinação – Estivador e mestrando da Unifesp Campus Baixada Santista, João Renato da Silva Nunes recomendou ao Ministério da Saúde uma revisão do atual Plano Nacional de Operacionalização da Vacina contra a Covid-19 a fim de acelerar a vacinação da categoria.
“Eles não se preocuparam com os riscos de cada cidade. Se você pegar o [plano] americano, o chileno, o australiano, o chinês e o israelense, eles foram cortados pela cidade. Cada cidade tem o seu risco. Será que o ministério não está seguindo o SUS? O SUS não adota a mesma política para uma cidade portuária e para uma cidade do interior”, alertou.
Segundo Nunes, mesmo submetidos a um alto risco de contaminação pelo coronavírus, os portuários continuaram trabalhando 24 horas por dia desde o começo da pandemia. “Entrar a bordo de um navio é como cruzar a divisa com diversos países”, destacou.
“O que estão vivendo os trabalhadores portuários é uma situação dramática. Se a formalização da prioridade não tem como consequência a imunização real, a gente não pode ficar satisfeito”, relatou. Braga sugeriu que, ao final da reunião, os portuários encaminhem formalmente suas demandas e argumentos ao Ministério da Saúde.
Segundo Caroline Alves, a meta é vacinar até o final de maio todos os grupos prioritários
Representando o Ministério da Saúde, a assessora técnica do Programa Nacional de Imunizações Caroline Gava Alves disse que a expectativa do governo é conseguir ofertar a primeira dose da vacina para todos os grupos definidos como prioritários, portanto incluindo os portuários, até o final de maio. Segundo ela, caso não haja atrasos na entrega das doses, isso deve ocorrer logo após a conclusão da atual fase de vacinação, que reúne pessoas com idade entre 60 e 64 anos, e da etapa seguinte, que envolverá cerca de 18 milhões de pessoas com comorbidades. “Muitos portuários com comorbidades inclusive já poderão ser imunizadas nesta fase”, ressaltou.
Segundo o Plano Nacional de Operacionalização da Vacina contra a Covid-19, até o momento já foram convocados para a vacinação: idosos e pessoas com deficiência que vivem em instituições de acolhimento; povos indígenas; trabalhadores da Saúde; povos e comunidades tradicionais ribeirinhas e quilombolas; pessoas com mais de 65 e forças de segurança e salvamento e forças armadas.
(Agência Câmara de Notícias)




