CONVERSA FRANCA
A crise no Sistema de Saúde de Manaus (AM) reacendeu o debate sobre as responsabilidades dos governantes para enfrentamento da covid-19, após interpretação, ainda em 2020, sobre o enfrentamento do problema pelo Supremo Tribunal Federal (STF). É verdade, como disse o governador do Maranhão, Flávio Dino (PCdoB), em vídeo postado em sua conta no Facebook, que o STF não proibiu o presidente da República de tomar medidas para enfrentamento da pandemia, mas também é verdade que, ao dar autonomia de decisões a prefeitos e governadores, suprimiu a autoridade do chefe do Executivo Nacional.
Em junho do ano passado, numa entrevista ao UOL, a ministra Carmem Lúcia deu a seguinte explicação: “O que o Supremo disse é que a responsabilidade é dos três níveis [federativos] – e não é hierarquia, porque na Federação não há hierarquia – para estabelecer condições necessárias, de acordo com o que cientistas e médicos estão dizendo que é necessário, junto com governadores, junto com prefeitos”.
Com base nesse entendimento, cada gestor foi tomando suas medidas, algumas curiosas: em Balsas, no Sul do Maranhão, no comércio, pela manhã, somente mulheres, à tarde, apenas homens; em Teresina (PI), carros vindos do Maranhão não podiam atravessar o rio Parnaíba; em Araraquara (SP), uma mulher foi presa por estar num banco de praça; no Rio de Janeiro (RJ), uma moça foi presa e quase teve suas peças de banho arrancadas pelos guardas municipais por ousar tomar um mergulho de mar em Copacabana. No Maranhão, o Governo do Estado fechou rodovias e impediu as pessoas de viajarem, e por aí foram as decisões de gestores estaduais e municipais.
Das poucas vezes que tomou alguma medida, o presidente foi “desmoralizado”, como quando autorizou a volta dos serviços de cabelereiros, manicures, pedicures e outros. O governador do Maranhão foi o primeiro a dizer que decreto presidencial não tinha valor no seu estado, e por isto proibiu sua aplicação.
Pois bem, depois de uma acentuada crise veio a campanha eleitoral e num passe de mágica, todo o drama desapareceu, o povo foi jogado nas convenções, carreatas, passeatas, comícios etc, e nem mesmo o secretário estadual de Saúde do Maranhão, Carlos Lula, que preside o Conselho Nacional dos Secretários de Saúde (Conass), resistiu à tentação e participou de um evento do PT em Coroatá, onde discursou, cantou e dançou, sem máscaras, sem uso de álcool em gel ou outros protetor, mas, como disse o governador, não era o secretário, era o cidadão Carlos Lula.
E nesse transcurso, desde o primeiro caso, o Brasil chegou às mais de 200 mil mortes, pelas quais há um único responsável: o presidente da República, não cabendo culpa por nenhuma delas aos 27 governadores e aos mais de 5,4 mil prefeitos. E depois do relaxamento, que seria a senha de que “o pior já passou”, veio a crise na capital do Amazonas, e novamente a culpa é do governo federal.
Quem diz isso, garante falar com base na Ciência e na Medicina.
Braide à espera do novo Dia D
Depois de participar, quinta-feira (14), de uma reunião com o ministro da Saúde, Eduardo Pazuello, o prefeito de São Luís, Eduardo Braide, reuniu, nesta sexta-feira (15), a imprensa para anunciar o início da vacinação contra covid-19 na capital maranhense. Seria quarta-feira (20), mas ele não contava com uma mudança de planos na Índia, de onde viriam as vacinas. Agora sem data para serem entregues, não há como prevê quando serão o Dia D e a Hora H da imunização na Ilha.


