Ilona Szabó integra Conselho Consultivo do Secretário-Geral António Guterres
“As crises globais aumentam a urgência de um novo multilateralismo”. A opinião é da conselheira do Secretário-Geral da ONU, a cientista política brasileira Ilona Szabó, que no mês passado foi escolhida ao lado de mais 11 conselheiros de todo o mundo para formar o Conselho Consultivo de Alto Nível do Secretário-Geral da ONU.
A presidente e cofundadora do Instituto Igarapé, um think tank comprometido com segurança humana, digital e climática, é a única latino-americana. Szabó já havia participado do relatório de Guterres, Nossa Agenda Comum, mas agora deverá se focar numa série de questões globais como clima, paz e desenvolvimento sustentável.
Nesta entrevista à ONU News, ela disse que a crise climática, a recuperação da pandemia e a guerra na Ucrânia são sinais de que é preciso repensar a forma de solucionar desafios internacionais.
“Acho que esse momento global, a gente sai de uma pandemia que trouxe tantas lições, que mostrou toda essa questão da interdependência, da necessidade de ampliar as coalizões, solidariedade, de refazer esse pacto entre cidadãos e seus mandatários. Ninguém poderia esperar que a gente estivesse em um momento tão difícil, pondo à prova, novamente, o multilateralismo. Eu diria que isso só reforça a urgência, a responsabilidade e a vontade de um Conselho Consultivo, como esse, de conseguir desenvolver ideias, recomendações que sejam ao mesmo tempo ousadas, porque precisam responder aos desafios cumulativos de hoje, mas também factíveis no mundo que a gente está vivendo. Então, eu diria que só aumenta a urgência e a necessidade dessa nova forma de multilateralismo, em rede, mais eficiente, mais conectada com a necessidade das pessoas”
O relatório Nossa Agenda Comum, divulgado em setembro passado, propõe que a Cúpula do Futuro em 2023 avance em ideias para arranjos de governança dos bens comuns globais, incluindo clima e desenvolvimento sustentável, além da Agenda 2030.
O evento está previsto para acontecer em paralelo ao Debate Geral da Assembleia Geral, em setembro.
Conselho Consultivo – Além de Ilona Szabó, participam do Conselho o presidente do Instituto de Estudos Internacionais da China, Xu Bu, a jovem ativista climática nepalesa Poonam Ghimire, a economista indiana Jayati Ghosh e o ex-Ministro das Finanças e Planejamento Econômico de Ruanda, Donald Kaberuka.
Integra o grupo também a ex-conselheira de Cultura no Unfpa, a egípcia Azza Karam, a pesquisadora queniana, Nanjala Nyabola, o ministro de Cingapura, Tharman Shanmugaratnam, a ex-diretora de Política e Planejamento do Departamento de Estado dos Estados Unidos, Anne-Marie Slaughter e o atual presidente do Clube de Madrid, o esloveno Danilo Türk.
Os membros trabalham de forma independente, oferecendo as recomendações ao secretário-geral da ONU, António Guterres, e à equipe do líder das Nações Unidas.
Segundo Ilona Szabó, a tarefa mais relevante do Conselho Consultivo é levar a António Guterres reflexões plurais de vozes da sociedade civil que refletem sobre os temas propostos no relatório Nossa Agenda Comum.
(ONU News)




