São Luís pode se tornar a única capital brasileira onde a venda de impressos poder ser proibida
AQUILES EMIR
Presentes nos cenários urbanos de todas os lugares do Mundo, as bancas de revistas estão ficando cada vez mais raras em São Luís, que é considerada uma das onde mais se cultua leitura e há, proporcionalmente à população, mais jornais em circulação. O problema principal é a ação do poder público, que, para embelezar e revitalizar praças e avenidas, principalmente na zona central, decidiu “proibir” esse tipo de atividade.
Para que o leitor tenha noção do que isto representa, no circuito que vai da Praça Pedro II, em frente à Igreja da Sé, ao Complexo Deodoro, já desapareceram mais de vinte bancas e a situação mais dramática é dos resistentes proprietários das poucas que restaram na João Lisboa e Deodoro, pois estão jogados em locais insalubres, praticamente inibindo a aproximação de clientes, como se houvesse uma pressão para os jornaleiros desistirem em definitivo da atividade.
A fim de abrirem um canal de negociação com as autoridades e fornecedores também, 52 proprietários de bancas de revistas, sebos e jornaleiros autônomos decidiram criar seu sindicato. Josenira da Luz, que tem uma banca nas proximidades do Hospital Universitário Presidente Dutra, é quem coordena o movimento, cujo objetivo principal garantir o direito desse segmento comercial continuar existindo.
Crise agravada – A situação agravou-se mais ainda depois do isolamento social para combater covid-19, já que muitos não conseguiram retomar com seus negócios após vários meses de paralisação. Para completar, houve o encerramento das atividades da Dimapi, que representava as grandes editoras do país, e a substituta, Rota Log, não consegue abastecer as bancas com os produtos que são grifes no jornalismo impresso: Veja, Istoé, Época, Caras e outras revistas, já que os jornais de fora há muito não circulam em São Luís.
Outro que participa do movimento é Cláudio Costa, proprietário de uma banca no bairro do Anil, em frente à Igreja Nossa Senhora da Conceição. Para ele, os jornais deveriam abraçar essa causa, pois está difícil manter a exposição desses veículos sem bancas para vendê-los.
Ele destaca que, além de jornais, as bancas comercializam água, sorvetes, balas, cigarros, chips de celular, suvenires etc, isto é, prestam um grande serviço para quem está transitando pela cidade.
Cláudio Costa diz que com em cada praça reformada, os jornaleiros foram expulsos, e lembrou que pior é a maneira como o poder público vem tratando os jornaleiros, pois os retiram para começar as obras e depois da reforma concluída não é permitido seu retorno, como aconteceu nas praças Pedro II, Benedito Leite, Odorico Mendes, Deodoro, Praça da Alegria e agora na João Lisboa e Largo do Carmo. “Dá pena ver como os donos de banca estão trabalhando”, reclama.
As bancas da João Lisboa foram jogadas antes para trás do abrigo, ao lado da Igreja do Carmo, e agora foram empurradas para a Avenida Magalhães de Almeida; na Deodoro, as bancas estão jogadas em frente ao Liceu Maranhense, onde hoje há uma espécie de feira livre.
Padronização – De acordo com Cláudio Costa, os donos de bancas imaginavam que iria ser apresentado pela Prefeitura um modelo padrão, de acordo com a reforma do espaço, mas não, o projeto é matar o negócio. Ele diz que os jornaleiros têm até um modelo para iluminação com energia solar para evitar fiações, mas não têm a quem apresentar.
O jornaleiro lamenta o silêncio dos vereadores e mais ainda dos candidatos a prefeito, pois nenhuma se dá conta desta situação, o que é um claro sinal de que a situação tende a piorar na futura gestão.
Ele espera que após a fundação do sindicato, haja abertura de canais de negociação tanto com a Prefeitura quanto Câmara Municipal, Ministério Público, Defensoria Pública, Poder Judiciário e outros órgãos, pois São Luís, no seu entendimento, não pode se tornar a única capital brasileira (quem sabe, mundial) onde é proibido o funcionamento de bancas de revistas.





7 Comentários
Não precisa acabar, apenas revitalizar, fazendo uma banca decente, higiênica e moderna para atender o público que ali passa todos os dias, pois é de vital importância para às pessoas, no âmbito da informação. Obrigado pelo espaço. André Caciano.
Sem leitura, sem cultura.
Governador babaca todas as capital tem só esse governo do atraso esse governo acabou com o Maranhão
Muito triste está situação .Espero que haja uma solução favorável à eles que possam volta a trabalhar .Vender as revistas e jornais impressos.
Madson o problema é o Prefeito que não quer as bancas. Falo com propriedade no assunto, pois sou proprietario de uma banca. Nos enganou durante 2 anos através de seu secretario, Madson Leonardo, dizendo que as bancas iriam voltar pra Deodoro. Disseram que o IPHAN não queria, fomos ate o órgão e o próprio Sr. Itaparary disse que isso não procede e inclusive as bancas estavam contempladas no projeto. Depois disseram que era a promotoria do meio ambiente (se eu não estiver enganado), e novamente comprovamos o contrario. Enfim, a prefeitura não quer as bancas. Isso é só o resumo da história.
Ninguém liga
Cidade do retrocesso …acabar com bancas de revistas é o fim
Todas capitais do país tem aqiii o governo do atrazo qr acabar com tudo.