Ele chegou junto com 67 pessoas de diferentes nacionalidades
Alívio por estar de volta ao seu país e preocupação com os amigos que deixou na Ucrânia. Assim o estudante de medicina Rony de Moura explicou o que estava sentindo ao finalmente pousar, em segurança, na Base Aérea de Brasília, junto com outras 67 pessoas de diferentes nacionalidades resgatadas da guerra na Ucrânia.
Aos jornalistas que acompanhavam a recepção oficial ao grupo, o estudante contou um pouco das incertezas e privações que as pessoas vêm enfrentando na Ucrânia. Segundo ele, a venda de produtos essenciais está sendo racionada e há filas “gigantescas” nos estabelecimentos comerciais que seguem abertos.
“Medo de morrer eu não senti, mas foi um choque de realidade quando eu entrei em um supermercado e não tinha mais água à venda. Esse foi, talvez, o pior momento para mim, pois vi as pessoas desesperadas”, disse Moura, explicando que, por residir longe do centro de Kiev, não chegou a testemunhar os ataques russos.
“Como o local em que eu vivia, em Kiev, fica fora da cidade, o máximo que escutei foram duas bombas que caíram perto da minha casa. Naquele momento, senti muito medo. Mas outros brasileiros tiveram mais contato [com o conflito]”, disse, lembrando ter sido necessárias cerca de 13 horas para percorrer um trajeto de aproximadamente 440 quilômetros entre Kiev e a cidade de Lviv, onde foi recebido nas dependências da Embaixada do Brasil.
“De Lviv à fronteira [com a Polônia] foi mais tranquilo. Tínhamos escolta policial, acompanhamento da Cruz Vermelha. Mas na fronteira foi dramático. Havia uma fila gigantesca de pessoas tentando deixar a Ucrânia. Nós passamos por estarmos com o pessoal da embaixada, mas havia muitas crianças e mulheres à espera”, relembrou o estudante, acrescentando querer abraçar a namorada e o filho assim que fosse autorizado a deixar a Base Aérea.
Além de Moura, o grupo resgatado é formado por outros 42 brasileiros, 19 ucranianos, cinco argentinos e um colombiano. Entre eles, há 14 crianças, além de oito cachorros e dois gatos de estimação.
(Agência Brasil)




