Randolfe diz que não há dúvidas sobre tráfico de influência
AQUILES EMIR*
Apesar de evangélica, a senadora Eliziane Gama (Cidadania) destoou dos demais colegas da bancada maranhense e assinou o pedido de criação de uma Comissão Parlamentar de Inquérito (CPI) para investigar a conduta do pastor Milton Ribeiro no Ministério da Educação. Segundo o autor da proposta de CPI e que será seu presidente, Randolfe Rodrigues, os religiosos praticaram um “esquema tenebroso”.
De acordo com as denúncias com a gestão de Milton Ribeiro no MEC, ele teria tomado algumas decisões que favoreceram políticos, alguns deles do Maranhão, ligados a outros líderes evangélicos, alguns deles presos na quarta-feira (22), junto com o ex-ministro, mas que foram soltos nesta quinta (23), por determinação do desembargador federal maranhense Ney Bello Filho, do TF1 de Brasília.
Ao contrário de Eliziane, os senadores Weverton Rocha (PDT), pré-candidato a governador, e Roberto Rocha (PTB), candidato à reeleição, não endossaram o pedido do senador pelo Amapá.
Em entrevista coletiva nesta quinta-feira (23), o senador Randolfe Rodrigues (Rede-AP) informou que o requerimento para a criação da CPI do MEC já conta com 28 assinaturas de senadores, uma a mais do que o mínimo necessário ao registro do pedido de instalação. O parlamentar afirmou que espera conseguir mais apoios nos próximos dias.
“Não protocolaremos ainda no dia de hoje [quinta-feira] esse requerimento de comissão parlamentar de inquérito. Aguardaremos pelo menos até a próxima terça-feira”, esclareceu Randolfe, acrescentando que fará isso para garantir que não haja risco de “derrubada” do requerimento.
Para o senador da Rede, é possível que a CPI seja instalada ainda neste semestre, antes do recesso parlamentar, que começa em julho. Mas ele reconheceu que os trabalhos de investigação só devem ter início em agosto, após o recesso.
“Há alguma dúvida de que houve um esquema tenebroso de tráfico de influência no âmbito do Ministério da Educação? “, questionou Randolfe, ao defender que a CPI, se instalada, investigue não só as denúncias contra o ex-ministro da Educação Milton Ribeiro, mas também as suspeitas de irregularidades no Fundo Nacional de Desenvolvimento da Educação (FNDE).
Colégio de Líderes – O presidente do Senado, Rodrigo Pacheco, disse que a possível criação da CPI do MEC poderá ser analisada pelo Colégio de Líderes.
Para Pacheco, em termos de conveniência e oportunidade, o momento pré-eleitoral é algo que pode prejudicar o escopo de uma CPI, que, ressaltou ele, deve ser isenta e ter o tempo necessário para a apuração a que se propõe.
“O fato de estarmos muito perto das eleições termina prejudicando o trabalho dessa e de qualquer outra CPI. Talvez seja o caso de submeter ao colégio de líderes esse e outros pedidos”, ponderou o presidente do Senado.
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De acordo com Randolfe, o requerimento que pede a criação da CPI do MEC já tem as seguintes assinaturas: |
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| Randolfe Rodrigues (Rede-AP) | Paulo Paim (PT-RS) |
| Humberto Costa (PT-PE) | Fabiano Contarato (PT-ES) |
| Jorge Kajuru (Podemos-GO) | Zenaide Maia (Pros-RN) |
| Paulo Rocha (PT-PA) | Omar Aziz (PSD-BA) |
| Rogério Carvalho (PT-SE) | Reguffe (União-DF) |
| Leila Barros (PDT-DF) | Jean Paul Prates (PT-RN) |
| Jaques Wagner (PT-BA) | Eliziane Gama (Cidadania-MA) |
| Mara Gabrilli (PSDB-SP) | Nilda Gondim (MDB-PB) |
| Veneziano Vital do Rêgo (MDB-PB) | José Serra (PSDB-SP) |
| Eduardo Braga (MDB-AM) | Tasso Jereissati (PSDB-CE) |
| Cid Gomes (PDT-CE) | Alessandro Vieira (PSDB-SE) |
| Dário Berger (PSB-SC) | Simone Tebet (MDB-MS) |
| Soraya Thronicke (União-MS) | Rafael Tenório (MDB-AL) |
| Giordano (MDB-SP) | Izalci Lucas (PSDB-DF) |
Agência Senado (Reprodução autorizada mediante citação da Agência Senado)
(*Com informações da Agência Senado)




