Candidato no primeiro turno, deputado diz que toma a decisão mesmo não concordando dos dois concorrentes
AQUILES EMIR
Num pronunciamento contundente, no qual anunciou também sua desfiliação do PROS, o deputado estadual Yglésio Moisés, que foi candidato no primeiro turno, anunciou na manhã desta quarta-feira (18) apoio ao candidato do Podemos, Eduardo Braide, no segundo turno da disputa pela Prefeitura de São Luís. Embora não concorde com os programas de ambos os concorrentes que restaram, disse que precisa evitar “um mal maior para a cidade de São Luis”, referindo-se a Duarte Júnior (Podemos), o outro concorrente.
O pronunciamento foi feito por volta das 09h30, no Pátio Jardim, no bairro do Cohafuma, onde o ex-candidato lamentou a falta de estrutura para concorrer em pé de igualdade com quem estava há mais tempo na campanha. Ele agradeceu ao deputado federal Gastão Vieira, presidente estadual do PROS, por lhe conceder legenda, mas disse que não continuará no partido, até porque seu presidente é aliado do governo e não pretende criar constrangimentos internos.
Yglésio levantou desconfiança de que o candidato do Republicanos sabia que estava contaminado com covid-19, mas escondeu isto da populaçãoe manteve sua campanha no mesmo ritmo, o que pode ter colocado em risco milhares de pessoas com quem teve contatos em carreatas, passeatas, reuniões, comícios etc. “Se fosse Bolsonaro, a esquerda, com certeza, já estaria no Judiciário exigindo que mostrasse o exame”, criticou, referindo-se aos adversários do presidente.
Yglésio fez ainda um apelo ao governador Flávio Dino para que controle seus liderados, pois considera muito graves ameaças com frases bíblicas, numa referência ao secretário de Educação, Felipe Camarão, que nas redes sociais postou um trecho do Evangelho de Lucas: “Aquele que não está comigo é contra mim, e aquele que comigo não ajunta espalha.”
Numa outra postagem, Camarão postou uma passagem do livro Inferno, da obra Divina Comédia, de Dante Aligheri, segundo o qual, “no inferno os lugares mais quentes (ou mais profundos, em algumas traduções) são reservados àqueles que escolheram a neutralidade em tempo de crise”.
O candidato do PROS tentou ainda desconstruir o trabalho desenvolvido por Duarte Júnior à frente do Procon e do Viva, afirmando que muito do que ele anuncia sobre investimentos é fantasia, já que a maioria dos escritórios para Defesa do Consumidor no interior do estado é por obra de prefeitos.
Yglésio Moisés frisou ainda que se o segundo turno fosse de Neto Evangelista contra Braide, Bira do Pindaré ou mesmo Rubens Júnior, ele manifestaria neutralidade, contudo não pode silenciar diante do quadro que se criou, pois considera o candidato do Podemos uma “invenção política perigosa”.
Ele acusou ainda Duarte de ter constrangido muitos trabalhadores, da iniciativa privada e pública, com sua política contra empresários, diretores de repartições e dirigentes de estatais e concessionárias do Estado.
Apesar de ter se posicionado contra uma orientação do governador e do seu partido e dizer que está se desfiliando de uma legenda que apoia o governo, Yglésio não pretende engrossar a bancada oposicionista na Assembleia, afirmando que vai se manter apenas independente, como sempre procurou ser.

