Colunista diz que oposição tem longo caminho a percorrer para enfrentar presidente nas ruas
AQUILES EMIR
O jornalista Ricardo Kotscho, militante do PT e ex-assessor do ex-presidente Lula, em sua coluna deste sábado (02) no portal UOL, reconhece que as manifestações contra o presidente Jair Bolsonaro – de quem é um dos maiores críticos – foram decepcionantes se comparadas aos atos de 07 de setembro, a favor do governo. Segundo ele, “o capitão presidente mostrou que ainda tem maior capacidade de mobilização do que as oposições reunidas”.
Kotsho diz que “depois de assistir às manifestações antidemocráticas de Jair Bolsonaro, no 7 de setembro; da turma do nem-nem do MBL, no dia 12; e neste sábado, da oposição ampliada, com a participação de 20 partidos, todas as centrais sindicais, religiões e centenas de movimentos populares, não dá para ter dúvidas sobre quem levou mais povo às ruas”, diz o colunista para concluir:

“Mesmo com a popularidade em queda livre, rejeitado por 53% da população e com a intenção de votos caindo para a faixa de 20%, em 2022, o capitão presidente mostrou que ainda tem maior capacidade de mobilização do que as oposições reunidas em mais de 100 cidades no país e no exterior”.
Segundo o colunista petista, “os grandes espaços vazios deixados na Avenida Paulista, na Cinelândia e na Esplanada dos Ministérios mostraram que as oposições, mesmo unidas, ainda têm um longo caminho a percorrer para enfrentar Bolsonaro nas ruas, faltando exatamente um ano para as eleições”. Ele diz ainda que as crítica ao presidente em sim deram lugar às queixas sobre economia.
“Neste 2 de outubro, as palavras de ordem da pauta política pedindo o impeachment de Bolsonaro perderam espaço nas faixas e nos cartazes para as reivindicações da vida real do povo, decorrentes da crise econômica que se agrava a cada dia, com a inflação galopante, a falta de emprego e de comida, o preço do gás e dos combustíveis”, acrescenta.
Ao fazer uma comparação entre os dois tipos de atos, Ricardo Kotscho, considera os da direita mais eficazes. “A grande diferença entre os comícios do presidente e os protestos da oposição é que, no palanque dele, só Bolsonaro fala, enquanto nos caminhões de som das oposições sobe tanta gente que o povo fica meio perdido para saber quem está falando”.
Ele critica ainda o comportamento da plateia de esquerda. “Os seguidores de Bolsonaro ouvem-no em silêncio, obsequiosos, como se estivessem assistindo a uma missa; nos protestos da oposição, o clima lembra mais uma grande quermesse, com cantorias e batucadas, ninguém presta muita atenção no que está se falando. É mais ou menos a mesma diferença que existe entre uma parada militar e um desfile de escola de samba, duas faces de um mesmo país”.
O colunista alfineta também os veículos de comunicação, em especial emissoras de TV. “Na Globo News, o cantochão monocórdico do comentarista Gerson “você tem ali” Camarotti atravessou o dia inteiro, sem que ele acrescentasse alguma informação nova, como se estivesse tocando um realejo. Havia um pouco mais de ritmo na transmissão da CNN, mas nas duas emissoras faltou repórter na rua para ouvir o povo, o grande ausente nos comentários. O que sua excelência, o cidadão, estará pensando de tudo isso?”.
Para encerrar, Kotscho faz duas observações:
- “Em tempo: antes que me chamem de cego, informo que a Secretaria de Segurança Pública de São Paulo estimou em 8 mil pessoas o público no ato da avenida Paulista. Na manifestação de Bolsonaro, de 7 de Setembro, a SSP calculou o público em 125 mil pessoas”.
- “Em tempo 2: Raimundo Bonfim, da Central de Movimentos Populares, uma das organizadoras dos atos, informou que um total de 700 mil pessoas foram às ruas para protestar contra Bolsonaro em 304 cidades de todo o país e do exterior”.
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