Jogador deve retornar aos gramados em um mês
AQUILES EMIR
Ainda desperta curiosidade no meio esportivo o caso do lateral esquerdo do Sampaio Corrêa, Pará, que foi internado na última quarta-feira (20), após sofrer uma contusão e permanecer em campo, sem se dar conta da gravidade do contusão. Ele chocou-se com outro jogador, Everton, do Cordino, sofreu uma lesão numa das costelas, continuou jogando, participou das disputas por pênaltis e só foi despertar atenção de que algo errado estava ocorrendo após encerramento da partida.
O jogo valia pela final do Campeonato Maranhense, e Pará, depois do choque com o adversário, em nenhum momento queixou-se de dores e de outros sintomas da fratura. Somente na comemoração do título, para o qual contribuiu com a primeira cobrança de pênaltis (o jogo terminou empatado), que ele converteu.
Na comemoração, um diretor do Sampaio percebeu que o atleta estava com inchaços pelo corpo e tratou de leva-lo imediatamente ao Hospital São Domingos, onde ficou sob observação médica e no sábado foi levado à Unidade de Tratamento Intensivo (UTI) porque estaria com um dos pulmões perfurados pela costela que sofreu a lesão no choque com o jogador do Cordino.
A versão que correu é de que ele não teria percebido a lesão porque estava com o corpo quente, e nem mesmo a perfuração do pulmão o incomodara.
Lesão – O médico cirurgião de tórax Elias Amorim, um dos maiores especialistas neste ramo da Medicina no Maranhão, que e foi um dos que assistiram Pará, no São Domingos, explica o que de fato ocorreu.
Segundo ele, quando houve o choque dos dois jogadores, Pará sofreu uma fratura na costela, sem muita gravidade, porém esse tipo de choque pode provocar rotura da parênquima pulmonar, que tem como uma das principais consequências o desvio do ar respirado, que deixa de ser levado para os pulmões e se espalha pelo corpo, circulando principalmente sob a pele, ou seja, um enfisema subcutâneo, e com isto o corpo da pessoa vai ganhando volume, tanto que o diretor do clube percebeu a anormalidade.
De acordo com o cirurgião, há casos em que a pessoa fica deformada, “parecendo uma bola”.
Providências – Levado ao hospital, Pará foi examinado, diagnosticado e submetido aos primeiros tratamentos, porém no sábado (23) veio a descoberta de uma pequena hemorragia no pulmão e ele foi levado à UTI, onde foi submetido a uma cirurgia.
No mesmo dia, à noite, após a vitória do time sobre o Brusque, de Santa Catarina, pela Série B do Campeonato Brasileiro, seus colegas de equipe foram ao São Domingos sua manifestar solidariedade e deseja de plena recuperação.
Elias Amorim diz que, apesar de o sangramento ter sido consequência do choque, não houve perfuração do aparelho respiratório do jogador com a fratura da costela.
Caso tivesse havido esse tipo de lesão, mesmo sendo atleta, ele não teria condições de permanecer em campo e continuar jogando e seria uma lesão tão grave que poderia até prejudicar sua carreira profissional com um bom tempo para se recuperar.
Quanto à cirurgia a que Pará se submeteu, o médico disse que ela foi minimamente invasiva (videotoracoscopia), e isto dá a segurança de que em breve Pará poderá retornar aos gramados do futebol. Pouco mais de um mês será suficiente para sua recuperação.




